domingo, 11 de novembro de 2012

Verdes olhos de liberdade


Talvez essa seja minha última mensagem.
Fui capturado e sou prisioneiro,
porém de uma forma totalmente diferente.
Não sou impedido de ir e vir,
de sair daqui para sempre e nunca mais voltar.
Sou um prisioneiro livre,
livre para vagar preso.
Preso dentro de mim, acorrentado, 
qualquer lugar que vá, por mais belo que seja,
não é o suficiente pra quebrar essas correntes,
explodir meu cárcere interno de sentimentos e razões.
Olho pela janela dos meus olhos e vejo
o dia lá fora, o sol solitário em céu azul.
Os dias são iguais, maçantes, rotineiros.
Até que ouço barulho de passos,
chaves batendo, cadeados se abrindo, correntes caindo.
Meu coração dispara, meu corpo treme,
minhas pernas são inúteis, minha razão inerte
e minha boca além de seca é tomada por uma dormência.
Porém meus olhos estão atentos, rastreiam qualquer informação,
procuram sinais de liberdade.
Então a porta se abre, a luz invade minha alma, minha prisão.
Tudo se transforma, estou ao vento, sinto a maresia no rosto,
o sol queima a minha pele  lembrando-me que vivo.
Mas no meio desse terremoto nada se escuta,
tudo é silêncio, tudo é paz, tudo é você,
seus penetrantes olhos verdes e mais nada.