Como era belo aquele lugar. Em cada casa um jardim permeado de flores. Os vizinhos faziam questão de bem cuidá-los, plantar as delicadas sementes, regar, aparar e arrancar os eventuais matos que, vez ou outra, teimavam em aparecer também. Plantavam de tudo, em alguns jardins só se via a mesma flor, majestosas em sua opulência, em outros podia-se ver de tudo, cada uma com sua beleza.
Uma vez, quando estes jardins estavam recém a florescer, havia um que se destacava. Suas flores pareciam ter um brilho especial, um quê belo e misterioso, até as ervas que cresciam eram dignas de admiração. A maioria dos jardins era organizado em colunas, arranjados de acordo com sua cor e seu tipo, esta não. As plantas pipocavam em todos os cantos, criando uma paisagem deslumbrante, até desconcertante para os outros jardins.
Mas então, de súbito da mesma maneira que veio, foi. Quando percebeu-se, restara apenas um gramado, esvaziado de beleza, mas não de história. Dizem que as flores voaram dali e fizeram raiz em outros jardins. Eu acredito. Todos lembram ainda da beleza deste lugar.