Enjoou-se da dinamicidade das novidades que ultimamente a envolviam.
Recorreu à guerreira
agenda telefônica, pouco convicta de que dali brotaria a solução de seu
presente dilema. E brotou.
O nome, já
familiar, saltou frente a sua vista. Seria a poção mágica responsável por
tirá-la da desregrada vida sexual, ao menos naquelas semanas.
Reestabelecido
o contato, de forma não árdua, saíram uma vez.
Arrebatadores
arrepios trouxeram à tona agradáveis lembranças doutros tempos.
Não tardou o
reencontro.
Sentira algo.
Estranho, no mínimo. Não se apegando a detalhes, deixara passar como
despercebido.
A relação
fluía, constante, consistente:
Atento.
Aberto. Disposto. Ele se fez carinhosamente presente.
Ela
potencializou sua importância. Entregou-se, descaracterizando-se.
Vieram as
impossibilidades das rotinas divergentes; tornaram-se frequentes, tornaram-se
desculpas.
Ele se
distanciou.
Ela correu
para se aproximar.
Ele foi claro.
Ela escutou,
processou, compreendeu, aprovou; mas sentiu.
Chorou. Chorou
muito.
Traduziu-se,
para si, apaixonada.
Persistiu. Ao
alto, lançou certas convicções. Mergulhou na profundidade de suas ilusões.
Ela o
procurou, precisava dizer-lhe de forma clara a emoção, transparecer.
Despiu alma e coração;
estava ali, ela, por inteiro, exposta. Apostando, de modo raro, no sentimento.
Ele a escutou, admirou sinceramente, mas não
sentiu – não sentiu o que ela gostaria que houvesse sentido.
Um choque
sucedido de longa respirada.
Satisfeita,
mas não contemplada, girou sobre os calcanhares, despedindo-se sem saber por
quanto tempo.
Se foi,
definitivamente derrotada na batalha emocional.
Sentiu-se
abalada, mas não enfraquecida.
Desistiu de
amar.
Caminhando
sobre firmes pés, recuperou a agenda – bem guardada na pequena bolsa.
Esfregou os
olhos e, esboçando um sorriso à esquerda do rosto, alegrou-se frente à epifania
que, agora, lhe convencia: ser vulnerável não era para si.