Exercia com perfeição seu personagem
durante o dia, enquanto os seres cruéis reinam
e as leis desconexas imperam.
Ansiava pelo pôr do sol,
pelo inicio de seu reino,
o silêncio alheio.
Rolava na cama
aguardando o momento certo
de escapulir dos lençóis
e correr para seus domínios.
Seus súditos o aguardavam
fiéis, verdadeiros, furtivos.
Caminhava sem rumo definido
ia por onde seus pés o guiavam
ao som de seus passos,
eternos companheiros,
ecos ritmados da marcha real.
As ruas estavam repletas
de ventos, impregnada de damas da noite,
alguns súditos os seguiam com o olhar felino
outros se afastavam com o rabo entre as pernas,
abandonavam seus banquetes com medo.
Seguiu até os limites de seu reino,
uma praça, com uma enorme fonte ao meio.
Esta pertencia a outros,
pertencia aos senhores da Sombra,
nobres magos que usavam capas,
roupas mágicas que os tornavam invisíveis
mas seus poderes iam embora com a luz do Sol.
Conhecia a alguns e vice versa,
sentou com eles a beira da lareira mais próxima.
Conversaram sobre os mistérios das estrelas,
os segredos dos animais,
e sobre como livrar o reino dos seres do mal,
porém, como sempre,
nunca conseguiam chegar a uma conclusão.
Um galo próximo anunciou o fim da reunião,
se despediram e voltaram para seus castelos,
não poderiam se atrasar,
pois até para seres invisíveis
o reino dos homens era perigoso,
cruel e ingrato.