quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Estória da Noite


A árvore lá fora dança com o vento enquanto eu, aqui dentro, tento dançar conforme a música. Que injusto! Por que não posso dançar com o vento? Ir para onde quero, fazer o que dá vontade.
Conheci alguém que dançava com o vento, com o mar, ou, melhor ainda, com o céu. Acho que ele tinha assas pois ó lembro dele voando até mesmo com os pés no chão. Que coragem! Eu não seria capaz de viver assim.
Talvez a vida seja medida em intensidade e não em anos. Se realmente for como penso, não quero chegar aos 100 anos. De que adiantaria tanto tempo sem emoção? Sem viver? Talvez ela seja medida em ser. Sim, em ser. Quem você é? Acho que pode ser o tempo de responder esta pergunta.
Parando para pensar, tenho medo desta pergunta. E se eu me limitar a ser apenas uma coisa? Conheci alguém que era várias. Ele era o que queria ser, ou o que estava destinado a ser. Não sei se acredito em destino.
Só sei que o relógio está correndo e aqui dentro, dentro de mim, a vontade não é de dançar conforme a música. Decidi! Não acredito no destino e tenho lá minhas razões. É mais confortável assim. Que erro!
O mundo não para para nos ouvir, não para para nos sorrir. Ou será que para? Um dia ouvi uma história que não lembro o nome nem quando a ouvi, mas faz um bom tempo. Era uma história sobre a noite. Na história havia duas pessoas em um mundo onde só havia o dia. Em determinado momento, uma dessas pessoas veio a falecer. A que ficou sofreu por muito tempo, sem diminuir a dor. Os deuses, vendo  o sofrimento, tiveram a ideia de criar a noite, para que assim, a que ficou pudesse dormir, descansar e dizer no outro dia "hoje faz um dia" e assim por diante.
Eu gosto dessa história, faz o mundo parecer menos insensível. Faz acreditar que ele para para nos ouvir. Mas de que importa? A árvore segue dançando com o vento lá fora e eu... eu sigo dançando conforme a música aqui dentro.