Encontraram-se dois homens vindos de direções opostas. Encaram-se,
estudaram-se, descobriram estar pisando sobre um campo coberto por infinitas
pedras. Cautelosamente, o Primeiro tomou uma em suas mãos, mostrando ao Segundo
que não estava indefeso. O segundo fez menção em fazer o mesmo, sendo
prontamente atingido por uma bordoada do Primeiro.
Seguiu atirando-lhe pedras, quase soterrando e sufocando Segundo, até
que estas formaram uma pilha que o protegia dos tiros que ele mesmo lançava.
Percebendo isto, Segundo organizou as pedras, levando vez ou outra um golpe,
criando um muro para defender-se, fazendo com que Primeiro tivesse que atirar
as pedras por cima do muro. Toda pedra que ultrapassava a muralha era integrada
à ela, até que esta se tornou tão alta e majestosa, que Primeiro já não a
conseguia transpor, no máximo esbarrar-lhe fortemente.
Do lado de dentro da muralha, Segundo constituiu família, contando-lhes
sempre sobre o homem de além-muro e as pedras que jaziam lá fora. Tanto tempo
se passou que Primeiro tornou-se um mito desacreditado. Os netos de Segundo
acreditavam que o muro ali sempre estivera.
Equivocados, no entanto. Do outro lado de sua segurança estava o velho
Primeiro, ainda com pedras em suas mãos.
